O Presidente Jair Bolsonaro do Brasil deu positivo no teste do coronavírus.

Fez o teste, o seu quarto, na segunda-feira depois de ter desenvolvido sintomas, incluindo uma temperatura elevada.

O Sr. Bolsonaro tem repetidamente minimizado os riscos daquilo a que chamou a “pequena gripe”, dizendo que não seria seriamente afectado. Ele opôs-se ao lockdowns, o que diz ter prejudicado a economia.

O Brasil tem o segundo maior número de casos de Covid-19 e mortes no mundo, depois dos EUA.

O que disse o Sr. Bolsonaro?

Fez o anúncio numa entrevista televisiva na terça-feira, dizendo que a febre que tinha sentido tinha baixado e que se sentia “muito bem”.

O Sr. Bolsonaro disse que tinha começado a sentir os sintomas no domingo. Disse que tinha tido uma temperatura elevada, uma tosse e que se tinha sentido mal.

Acrescentou que na segunda-feira se tinha sentido pior, o que o levou a fazer o teste do coronavírus.

O Sr. Bolsonaro encontra-se num grupo de maior risco por causa da sua idade, 65 anos.

Disse que estava a tomar hidroxicloroquina – defendida pelo Presidente dos EUA Donald Trump – e azitromicina, um antibiótico, para tratar a doença. Também não foi provada a sua eficácia contra o vírus.

Quão perto estamos de curar o coronavírus?

Serão efectuados rastreios e testes de contacto para as pessoas que o Sr. Bolsonaro conheceu recentemente.

Os seus três testes anteriores para o vírus deram todos negativo.

O director executivo da Organização Mundial de Saúde, Dr Mike Ryan, desejou ao Presidente Bolsonaro “uma rápida e total recuperação desta doença”, acrescentando: “Penso que a mensagem para todos nós é: somos vulneráveis a este vírus”.

O que é que ele tinha dito anteriormente?

Em Abril, o Sr. Bolsonaro disse que mesmo que estivesse infectado, “não teria de se preocupar porque eu não sentiria nada, no máximo seria como uma pequena gripe ou um pouco de frio”.

O número de mortes e infecções relacionadas com a Covid-19 – na altura com menos de 3.000 e 40.000 – tem aumentado desde então.

Apesar disso, o Presidente Bolsonaro argumentou que os bloqueios regionais estão a ter um efeito mais prejudicial do que o próprio vírus, e acusou os meios de comunicação social de espalhar o pânico e a paranóia.

Os seus outros comentários sobre o vírus incluem:

11 de Março: “Do que vi até agora, há outros tipos de gripe que mataram mais pessoas do que aquela [coronavírus]”.


18 de Março: “Hoje temos informações, que porque temos um clima mais tropical [no Brasil] quase chegámos ao fim [da pandemia], ou já acabou… o vírus não se espalha tão depressa em climas quentes como o nosso”


20 de Março: “Depois de ter sido esfaqueado, não vou ser derrubado por uma pequena gripe”


Desde então, tem continuado a tomar medidas que considera “ditatoriais”, tais como o encerramento de praias ou a exigência de usar revestimentos faciais.

Na segunda-feira, fez novas alterações a uma lei que exigiria que os brasileiros usassem máscaras em público.

Assistiu a uma série de eventos públicos sem máscara, mesmo quando as regras locais o obrigavam a usar uma.

No domingo, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Ernesto Araújo afixou uma fotografia nos meios de comunicação social mostrando a si próprio com o Presidente Bolsonaro e outros participantes numa celebração do Dia da Independência na embaixada dos EUA em Brasília.

Nenhum dos que constam da foto está a usar uma máscara ou a observar o distanciamento social.

A embaixada dos EUA disse que o embaixador tinha almoçado com o Sr. Bolsonaro e outros no dia 4 de Julho. Acrescentou que o embaixador não tinha sintomas, mas que iria submeter-se a testes.

O embaixador tinha anteriormente tweetado uma fotografia sua com o Presidente Bolsonaro.