O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) disse na quinta-feira que a pandemia de Covid-19 triplicou as necessidades de financiamento de Moçambique, para 8,2% do PIB, e pode levar a uma recessão económica de 2%. [Leia o relatório completo AQUI].

De acordo com as Perspectivas Económicas Africanas do BAD 2020, “os efeitos da pandemia de COVID-19 e o consequente bloqueio deverão reduzir a taxa de crescimento económico de Moçambique para 1,5% no cenário de base, assumindo que a produção pandémica se atenue até Julho, a produção poderá contrair-se em 2,0% no pior dos cenários, assumindo que a pandemia persiste até ao final do ano”.

No documento, que revê as estimativas iniciais a partir de Janeiro, o BAD disse que as necessidades de financiamento de Moçambique triplicaram, levando a um défice nas contas públicas que poderia atingir 8,2% se a pandemia durar até ao final do ano.

“O défice fiscal aumentaria para 8,2% do PIB em 2020, no pior dos cenários, contra os 4,5% inicialmente previstos no orçamento. Mesmo num cenário de base mais conservador, o défice será mais do triplo dos 2,2% registados em 2019”, lê-se no documento, O relatório da AFDB afirma ainda que “o impacto nas receitas provém principalmente de menores receitas de exportação de mercadorias e do abrandamento da actividade económica devido ao encerramento de empresas e à limitação das actividades de transporte durante o encerramento”.

“Sobre a posição externa, um colapso nas exportações de mercadorias agravaria o défice da balança de transacções correntes para 62,3% do PIB no cenário de base, com um potencial de novo alargamento para 67,2% no pior dos cenários”, acrescenta o relatório.

“A desaceleração do crescimento seria impulsionada por desacelerações na construção, turismo e transportes e por saídas de investimento directo estrangeiro. Espera-se que a inflação aumente acima dos 6,6% após o encerramento das fronteiras e a potencial contracção do crédito no sector produtivo, o que poderia fazer subir os preços dos bens, particularmente dos alimentos”, lê o relatório.

“A oferta interna já é insuficiente para satisfazer a procura crescente, e a instabilidade que perturba a logística no centro e norte do país pode acrescentar mais pressão sobre os preços dos alimentos, alimentando a inflação”.

O total de casos de Covid-19 em África na quarta-feira ultrapassou a marca dos meio milhão. O número de mortos subiu para 11.955, mais 333 nas últimas 24 horas, de acordo com os últimos números.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (CDC África), o número de infectados subiu para 508.086, mais 16.336 nas últimas 24 horas, enquanto que o número dos que foram recuperados na quarta-feira aumentou de 8.702 para 245.068.

Moçambique já infectou, até quarta-feira, 1.071 infectados e oito mortos.

O primeiro caso de Covid-19 em África surgiu no Egipto a 14 de Fevereiro, e a 28 de Fevereiro, a Nigéria tornou-se o primeiro país da África Subsaariana a registar casos de infecção.

A pandemia de Covid-19 já ceifou mais de 545.000 vidas e infectou mais de 11,9 milhões de pessoas em 196 países e territórios em todo o mundo, de acordo com um relatório da agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado em finais de Dezembro em Wuhan, uma cidade no centro da China.